Este foi o livro que me despertou para a literatura. Quando era mais nova a minha insestia constantemente que tinha que ler. Aliás, melgava-me mesmo a cabeça. Dizia que era muito bom para mim. Que podia viajar sem sair do sofá (sim, porque eu nunca gostei de ler antes de ir dormir). Que o meu avô ir ficar contente se eu lesse, porque me dava imensos livros, blá blá blá e como era teimosa ou simplesmente davam-me livros que não me despertavam, a não ser o principezinho, eu nunca liguei.
Andava sempre a tentar ler um livro ou outro, porque livros não me faltavam em casa. Só para terem uma noção eu tenho mais de mil livros, espalhados pela sala, escritório, quarto e garagem.
Até que um dia, uma colega disse-me: "Tu tens que ler coisas fortes. Que te despertem atenção"
Partilho da opinião que os meus gostos, inclusivé literários, não são iguais aos da minha mãe que têm mais 20 anos que eu.
E como quem gosta de ler faz questão de partilhar os conheciemntos literários, a minha querida colega apressou-se por me emprestar o "Souad. Queimada viva". Apesar de ter muitos livros este foi sem dúvida o livro que me fez apaixonar pela literatura.
Sinopse para quem ficou interessado:
Quando o amor antes do casamento é sinónimo de morte.
Souad tinha
dezassete anos e estava apaixonada. Na sua aldeia da Cisjordânia, como em tantas
outras, o amor antes do casamento era sinónimo de morte. Tendo ficado grávida,
um cunhado é encarregado de executar a sentença: regá- -la com gasolina e
chegar-lhe fogo. Terrivelmente queimada, Souad sobrevive por milagre. No
hospital, para onde a levam e onde se recusam a tratá-la, a própria mãe tenta
assassiná-la.
Hoje, muitos anos depois, Souad decide falar em nome das
mulheres que, por motivos idênticos aos seus, ainda arriscam a vida. Para o
fazer, para contar ao mundo a barbaridade desta prática, ela corre diariamente
sérios perigos, uma vez que o “atentado” à honra da sua família é um “crime” que
ainda não prescreveu.
Um testemunho comovente e aterrador, mas também um
apelo contra o silêncio que cobre o sofrimento e a morte de milhares de
mulheres.